Limpando o armário


Abro a porta cuidadosamente. Ao ver como o armário já estava cheio a solução me veio à mente: preciso de um armário novo e maior. Meus olhos procuravam apenas um espaço em que não houvesse nada. Inútil. Pilhas e mais pilhas. Amontoadas.

Questionava-me o que todas aquelas coisas estavam fazendo ali. Tantas coisas que pertenciam ao passado. Tão antigas, mas que não consegui me livrar. Quando não sabia o que fazer simplesmente corria e as guardava no armário. Se eu ficava triste as colocava junto com minhas lágrimas. E quando sentia medo, as trancava. Deveria ter tomado alguma atitude. Feito algo! Arrumado toda aquela bagunça ou jogado fora.

Sentada em frente à porta do armário tentava me lembrar como todas aquelas coisas foram parar ali. Havia coisas demais. Sabe quando um armário está tão cheio que quando você vai abri-lo tudo desaba sobre sua cabeça? Como uma onda enorme que te derruba. A porta ia me empurrando para frente. Tive que levantar para usar toda a minha força contra o armário. Todas aquelas coisas insistiam em lutar para sair.

Você deve estar se perguntando o que havia nesse armário afinal. Ele estava cheio de… PALAVRAS. Todas que deixaram de ser ditas. Aquelas que guardei só pra mim. As que tive medo de dizer. A porta cedeu e a imensa onda me pegou. A força de cada palavra me golpeou e me tirou do chão. Sentia-me totalmente sufocada. Tentei evitá-las, mas agora todas estavam diante de mim. Me encarando. Esperando que eu tivesse um pouco de coragem para admitir: foi inútil tentar fugir. Eu as deveria ter usado quando necessário. Deveria ter dito. A verdade é que foi tão fácil guardá-las no armário por um tempo.

Sabe quando você quer dizer algo, mas parece que na sua garganta tem um nó que te impede? Quando está diante da pessoa e simplesmente… não consegue.  Você acaba colocando no armário aquele pedido de DESCULPAS, porque é orgulhoso demais para admitir que estava errado.  Também guarda aquele pedido: Não vá embora. Fique comigo! Ou então aqueles pedidos que nos levam a um novo passo: namora comigo? Case-se comigo?

No meio daquela bagunça toda pude perceber:

Não dizer algo acabou magoando muito mais as pessoas que eu amava. E ficar em silêncio também me magoou;

Não falar me deixou sem ação. Deixei pessoas saírem da minha vida sem fazer nada. Elas partiram sem ao menos ter noção do quanto realmente significavam para mim. Às vezes aquelas palavras eram o suficiente para ficarem;

Deixei de dizer palavras que poderiam ser o primeiro passo de algo especial;

Tornei as brigas longas e dolorosas demais;

Acabei permitindo que me machucassem por não me impor;

Está mais que na hora de limpar esse armário. Arrumar toda essa bagunça. E se para isso for necessário dizer cada palavra que deixou de ser dita: eu farei! A minha primeira solução além de precoce foi estúpida. É claro que a solução não era arrumar um armário maior e sim não usar armário nenhum. É dizer sempre a verdade nunca acompanhada de grosserias, e sim de sinceridade. É não dizer amanhã o que pode ser dito hoje!

Alfa.

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E agora? Como esquecer aquele cara?

As vezes quando as pessoas estão com problemas elas procuram desesperadamente pela SOLUÇÃO. Procuram saber o que fazer afinal. Mas ultimamente estou na seguinte posição: dentro das possibilidades eu sei o que é melhor pra mim. Sei o que devo fazer. Mas simplesmente ainda não consigo aceitar que essa seja mesmo a única solução! Ainda não tenho dentro de mim a VONTADE de tentar esquecê-lo.

Eu gostaria que fosse mais fácil esquecê-lo! Antes quando olhava aquelas frases: “Penso em você o tempo todo” entre outras do gênero, logo pensava “Que papo furado. Não tem como ficar pensando em uma pessoa o dia todo”. Minhas caras leitoras já aconteceu comigo, claro que eu não pensava 24 horas. Não dá né?! Porém a maioria do decorrer do dia… SIM! Eu pensava nele.

Eu até consigo me distrair as vezes assistindo algo, em aulas importantes, conversando com as amigas. Se bem que há tantas coisas que às vezes não cooperam para isso. Um gosto em comum. Uma música. Um lugar. Pedacinhos que me fazem lembrar dele.

Sinceramente. Eu já acordei (isso ocorreu uma única vez) e a primeira coisa que pensei foi nele. Isso me assustou de certa forma. Eu posso gostar de uma pessoa, mas não posso me anular para continuar gostando dela. Não posso anular coisas e pessoas importantes!

Eu me envolvo. Não consigo ser fria ou calculista. Vivenciar algo a distância não é comigo. Na verdade eu nunca fui muito de só apreciar a beleza das coisas. Sempre me envolvi. Sinto a necessidade de Participar!!! Se é para se lambuzar… ME LAMBUZAR! Se é pra mergulhar… MERGULHAR DE CABEÇA!

Sabe quando você está fazendo algo e quando se dá conta, já está pensando nele? Ai tentando parar de pensar nele. Você simplesmente balança a cabeça. Como se balançando a cabeça você pudesse afastar as lembranças. Todos os momentos. Ou a vontade de estar perto. “Você pode fechar os olhos para as coisas que você não quer ver. Mas você não pode fechar seu coração para as coisas que você não quer sentir.”

Posso balançar minha cabeça na tentativa inútil de tentar esquecê-lo. Mas como se faz com o coração? Como o engano? Negando este sentimento que vem à tona todo dia? Me convencer que já passou. Simples assim, como um estralar de dedos. Da noite para o dia. Como se esquecê-lo fosse um passe de mágica.

Uma pergunta. Muitas respostas. O que fazer para esquecer aquele cara? Há quem diga que um drink resolve. Afogar as mágoas do desprezo na bebida. Outros dizem que mudar de bairro, cidade, ou melhor… PAÍS é a solução. Claro! Sair do mesmo território que ele deve funcionar, não deve? Podemos ouvir aquela frase conhecida: “ Nada melhor que um novo amor para esquecer o velho.” Quem sabe se nos concentrarmos só no trabalho? Deixando o coração de lado um pouco. Qual dessas respostas podem me fazer esquecê-lo?

Penso que, qualquer uma dessa respostas sejam inválidas se não estiverem acompanhadas de uma coisinha… VONTADE! É ela que nos move. É preciso se dispor em algo para obter sucesso. Como podemos realmente esquecer alguém, se nem ao menos tentamos pra valer? Estou dizendo besteiras, meninas?

Tentar não é ficar murmurando. Nem se entupindo de doces, sorvetes e derivados (risos). Tentar de verdade. Resistir a tentação de ir falar com ele. Não olhar sua página na internet. Usar seu tempo em algo produtivo em vez de ficar sonhando acordada.

È isso o que quis compartilhar com vocês meninas. Apesar de ter a plena consciência de tudo isso. Ainda não tenho vontade de esquecê-lo. Tentar esquecê-lo agora é como deixá-lo ir. Sendo que eu o quero perto de mim. Apesar dele às vezes indiretamente ou diretamente me fazer mal.

Podemos ter certeza que às vezes é mais fácil falar. Mais fácil detectar o problema do que resolvê-lo na prática! A prática exige esforço, coragem, foco, entre outras coisas. Neste momento. Respiro fundo e lembro que o que tiver que ser… SERÁ!

Para refletirmos sobre o assunto, vou deixar um trecho de Mário Quintana.
“…Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela…
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável…
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples…
Um dia percebemos que o comum não nos atrai…
Um dia saberemos que ser classificado como “bonzinho” não é bom…
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você…
Um dia saberemos a importância da frase: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas…”
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso…
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais…
Enfim…
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos
todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito…
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutarmos para realizar todas as nossas loucuras…
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.”

 

Alfa