Adeus

Você partiu sem ao menos dizer adeus. E eu fiquei aqui. Paralisada. Olhos no horizonte, atentos a qualquer movimento. Quem sabe não era você voltando? Será que não ouvi você se despedir? Devo ter entendido um até logo em vez do ADEUS.

É como se eu estivesse parada no meio de uma estrada. Tudo passava. Pessoas indo e vindo normalmente. Enquanto, nem conseguia me mexer. Seguir em frente. Um passo que fosse. Parecia impossível! Olhava o movimento da vida. Invejava a alegria que as pessoas sentiam. Odiava principalmente o dia em que os casais resolviam passear. Lembrava-me mais ainda de você (como se não fizesse isso todos os dias).

Cada lembrança de felicidade que senti. As risadas. O toque. As brigas e as reconciliações. Tudo agora tinha se tornado apenas… Lembrança.

Cada dia ia se arrastando. O tempo passava apesar de tudo parecer igual. Não conseguia deixar de criar minhas ilusões e expectativas.

Houve um dia em que o sol estava escaldante. O que favoreceu a uma nova alucinação. Podia ouvir nitidamente cada passo seu vindo ao meu encontro. Seu sorriso ainda mais iluminado. Você me pedia desculpas pela demora (como se me importasse) Você estava aqui. A esperança se gabava: “É ele! É ele! Eu não te disse. Estava certa todo esse tempo. Ainda bem que me ouviu.” Meu sorriso apagado ganhou força, cor e principalmente alegria. Era alegria mesmo? Sim. Já fazia tanto tempo que não a sentia, mas eu sabia que era ela. Meu coração dizia: “É ele! É ele! Chega de dor.”

O que mais eu poderia querer? Com ele aqui e agora tudo se tornava completo. Um sonho que se tornou realidade. As lágrimas que haviam me acompanhado durante toda a dor, agora estavam presentes na felicidade também.

Preparava-me para pular em seus braços. Quando… Ele desapareceu. A tempestade veio como um balde de água fria. A realidade me tirou do “país das ilusões”. Não podia mais fugir. Despejou a verdade na minha cara: “Ele não voltou. Siga em frente. Trate de esquecê-lo!!!”

Olhava em volta. Tudo parecia tão patético. Odiava-me. Entristecia-me. Mas uma vez me permiti enganar. Chega de ficar parada. Olhar pra trás não ia mudar o que estava bem na minha frente. Eu estava sozinha.

Meus amigos. Minha família. Eu! Tudo isso ia continuar abandonado esperando? Tudo isso que deixei de lado POR ELE. Quanto tempo mais? Se ele voltar? SE. A vida estava se baseando em suposições.

Seguir em frente não era mais só uma opção. E sim uma necessidade. Se vou esquecê-lo? Se vou tentar? No momento não posso garantir nada a ninguém, muito menos a mim mesma. Mas eu preciso aprender a dar um passo de cada vez.

Alfa.

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