Até sua máscara cair no chão…

Vou tirando lentamente sua máscara. Aos poucos conhecendo qual é o seu verdadeiro eu debaixo de cada mentira. Das ilusões. De toda falsidade. Até chegar o momento em que sua máscara finalmente cairá no chão. E ai: ou você passará a se esconder atrás de outra ou terá de enfrentar a realidade de quem você é.

Tudo que os outros conseguem ver é sua diplomacia. Seu andar elegante. As mulheres do salão estavam encantadas. Sonhavam com apenas uma dança. Você as ilude. As conduz de acordo com a sua vontade, dança, usa, e depois descarta.

Usa a máscara como sua proteção. Ela lhe da confiança. Mal sabe que viver atrás de uma máscara é muito fácil. O difícil é nos assumirmos como realmente somos. Qualidades e defeitos. Acertos e erros. Sem esconderijos. Afinal, as pessoas devem nos amar pelo que somos certo?

Tik-tak. Tik- tak. Minha ansiedade aumentava. Os ponteiros do relógio moviam-se lentamente. Esperava apenas a última música. Deixei você desfrutar da sua própria farsa. Era nítido o quanto se divertia em enganar a todos. Remorso? Culpa? Não! Sentia-se orgulho isso sim.

Sentia-se esperto. Não era culpa sua se todos acreditavam tão facilmente. As pessoas acreditam no que querem ver. No que preferem acreditar. Essa é sua filosofia de vida. Uma escapatória. Algo para tentar justificar as suas atitudes.

A noite ia se arrastando. Eu já havia caminhado. Tomado um ar fresco na sacada. Batido os pés de tão impaciente. Mas não ia ir embora. Em nenhum momento desistir passou pela minha cabeça. Seus sorrisos, olhares me encorajavam. Toda essa sua covardia de se mostrar como é. Ser um pouco sincero.

Na verdade, acho até que vou lhe fazer um grande favor. Chega de viver de aparências! Ser alguém que todos querem em vez de ser você. Eu queria isso por elas. Para que outras não acreditassem cegamente como acreditei. Isso também era por mim. Para tentar entender: o que foi mentira e o que foi verdade. Pergunta-me se não era apenas vingança. Não posso negar, era. Pelo menos um pouco.

Mas… já estava feito. Os olhares estavam voltados para ela. Lá no alto. Descia sem pressa. As fitas se moviam lentamente. A máscara ia caindo… Caindo… Até que finalmente tocou o chão.

Senti-me gloriosa. Uma verdadeira justiceira. Agora as pessoas iriam se aproximar de você, pelo que realmente é. Houve espanto. As pessoas não entendiam como haviam sido enganadas (bem debaixo do próprio nariz). Antes elas enxergavam só suas virtudes e agora, podiam ver nitidamente seus defeitos. Antes, tudo era beleza. Agora, podiam ver sua feiúra também.

Ah! Já ia me esquecendo, essa música é pra você:

Diga, quem você é me diga
Me fale sobre a sua estrada
Me conte sobre a sua vida
Tira, a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro, jeito de ser
Ninguém merece ser só mais um bonitinho
Nem transparecer, consciente, inconsequente
Sem se preocupar em ser adulto ou criança
O importante é ser você
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro
Mesmo que seja estranho, seja você
Mesmo que seja

(Máscara – Pitty)

Alfa.

Adeus

Você partiu sem ao menos dizer adeus. E eu fiquei aqui. Paralisada. Olhos no horizonte, atentos a qualquer movimento. Quem sabe não era você voltando? Será que não ouvi você se despedir? Devo ter entendido um até logo em vez do ADEUS.

É como se eu estivesse parada no meio de uma estrada. Tudo passava. Pessoas indo e vindo normalmente. Enquanto, nem conseguia me mexer. Seguir em frente. Um passo que fosse. Parecia impossível! Olhava o movimento da vida. Invejava a alegria que as pessoas sentiam. Odiava principalmente o dia em que os casais resolviam passear. Lembrava-me mais ainda de você (como se não fizesse isso todos os dias).

Cada lembrança de felicidade que senti. As risadas. O toque. As brigas e as reconciliações. Tudo agora tinha se tornado apenas… Lembrança.

Cada dia ia se arrastando. O tempo passava apesar de tudo parecer igual. Não conseguia deixar de criar minhas ilusões e expectativas.

Houve um dia em que o sol estava escaldante. O que favoreceu a uma nova alucinação. Podia ouvir nitidamente cada passo seu vindo ao meu encontro. Seu sorriso ainda mais iluminado. Você me pedia desculpas pela demora (como se me importasse) Você estava aqui. A esperança se gabava: “É ele! É ele! Eu não te disse. Estava certa todo esse tempo. Ainda bem que me ouviu.” Meu sorriso apagado ganhou força, cor e principalmente alegria. Era alegria mesmo? Sim. Já fazia tanto tempo que não a sentia, mas eu sabia que era ela. Meu coração dizia: “É ele! É ele! Chega de dor.”

O que mais eu poderia querer? Com ele aqui e agora tudo se tornava completo. Um sonho que se tornou realidade. As lágrimas que haviam me acompanhado durante toda a dor, agora estavam presentes na felicidade também.

Preparava-me para pular em seus braços. Quando… Ele desapareceu. A tempestade veio como um balde de água fria. A realidade me tirou do “país das ilusões”. Não podia mais fugir. Despejou a verdade na minha cara: “Ele não voltou. Siga em frente. Trate de esquecê-lo!!!”

Olhava em volta. Tudo parecia tão patético. Odiava-me. Entristecia-me. Mas uma vez me permiti enganar. Chega de ficar parada. Olhar pra trás não ia mudar o que estava bem na minha frente. Eu estava sozinha.

Meus amigos. Minha família. Eu! Tudo isso ia continuar abandonado esperando? Tudo isso que deixei de lado POR ELE. Quanto tempo mais? Se ele voltar? SE. A vida estava se baseando em suposições.

Seguir em frente não era mais só uma opção. E sim uma necessidade. Se vou esquecê-lo? Se vou tentar? No momento não posso garantir nada a ninguém, muito menos a mim mesma. Mas eu preciso aprender a dar um passo de cada vez.

Alfa.