Senhor Invisível.

Enquanto ele se curvava graciosamente e estendia sua mão para a minha, eu discretamente me analisava (verificando se havia algum vestígio nítido do meu nervosismo). Deixei que minha mão fosse ao seu encontro. Após segurá-la de forma firme ele a  beijou suavemente. A música começa então todos se direcionam para o salão. Nossos passos são atrapalhados. Por mais concentrada que eu estivesse, foi inevitável não pisar em seu pé. 

Uma de suas mãos agora encontra-se em minha cintura. Eu delicadamente coloco a minha em seu ombro. A música parece mais harmoniosa. Deixei que ele me conduzisse. Eu gosto de como o meu vestido se movimenta quando ele me gira. O silêncio foi quebrado por conversinhas ao pé do ouvido.

Cruzei os dedos. Tomara que está música demore. Ou que outra comece logo. Tão próximos. Ele juntou seu rosto ao meu. Seu cheiro estava por toda parte. Seus olhos tentavam penetrar nos meus. Seu sorriso torto fez minhas pernas tremerem. Como se tudo não fosse o bastante… me fez sorrir. Rodopiávamos pelo salão. No meio do salão ele começou a me girar lentamente. Ele me girou e …  SUMIU!

A música calma se transformou em trilha sonora de terror. Onde ele estava? Como pode me abandonar de repente?  Em meio a todos os rostos ao meu redor eu procurava o seu. Seria uma brincadeira? Que hora para brincar. Se ele iria me abandonar por que fez fez questão de se aproximar? SEDUTOR. ME ILUDIU. A partir do momento em que lhe entreguei minha mão sabia que seria iludida.

Aparece e desaparece quando bem entende. Como ele tem facilidade em fazer isso. Me fez sentir a tal da felicidade pra tomá-la de mim. Me levou pras nuvens pra depois me deixar cair. Saiu sem se despedir. Simplesmente se afastou. Não me deixou pistas. Não deixou que eu me preparasse, ou tentasse.

Tantas perguntas na minha cabeça. Como eu queria encontrá-lo. Como eu tentava entendê-lo! Como eu o odiava por ser esse SENHOR INVISÍVEL. Respirei fundo. Procurei meu espelhinho. Me encarei no espelho. A primeira coisa que notei: minha maquiagem estava intacta. Agora eu repetia para a imagem refletida no espelho: Não chore! Levante-se. Nada aconteceu. Ele não merece seu desespero. Não procure-o. Siga em frente. Você consegue. Respire.

Se encarar resolvesse. Se eu jogasse todas as verdades na sua cara. Ele não ia me dizer por que havia feito isso.Iria? Não!Me recuso a ficar aqui paralizada. Por mais nervosa. Por mais que a tristeza estivesse me matando por dentro eu resolvi que… ninguém iria notar!!! Eu sai daquele salão como se nada tivesse acontecido. Não vou dar o prazer a ele ou a quem quer que seja de me ver arrasada. Sai sem olhar para trás.  Um passo de cada vez. Era esse o meu plano.

Alfa.

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